Apesar dos ótimos resultados no controle da obesidade e de doenças como o diabetes, o uso de medicamentos agonistas do GLP-1, mais conhecidos como “canetas emagrecedoras”, ainda pode despertar dúvidas em diversas pessoas, inclusive adolescentes.
“Trata-se de uma medicação revolucionária para crianças e adolescentes com essa doença, público que apresenta complicações de forma mais intensa e precoce. Por isso, é tão importante um tratamento eficiente e prematuro”, afirma a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). “Mesmo assim, diferente do que acontece no caso dos adultos, a medicação não é indicada para o emagrecimento em nenhum caso, pois não existem estudos com essa população para esse fim.”
Os efeitos colaterais do uso da tirzepatida em pacientes pediátricos são os mesmos enfrentados por adultos. “Os mais comuns são sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, constipação e diarreia. Casos de hipoglicemia também podem ocorrer e devem ser monitorados”, alerta o pediatra Claudio Reingenheim, do Einstein Hospital Israelita.
Problemas relacionados ao pâncreas e à vesícula biliar podem demandar exames mais frequentes. Outra questão importante é que a substância diminui a eficácia de contraceptivos orais. “Por isso, as adolescentes devem ser orientadas a usar outro método de contracepção”, acrescenta Reingenheim.
O medicamento é contraindicado para pessoas com alergia à tirzepatida ou qualquer componente da fórmula; pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, um tipo raro de câncer; ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2, doença genética envolvendo tumores nas glândulas endócrinas.
Entre crianças e adolescentes, fatores como fase de crescimento, desenvolvimento hormonal e impacto metabólico tornam o acompanhamento mais delicado do que no caso dos adultos. “O tratamento deve ser individualizado, escalonando a aplicação de acordo com tolerabilidade e necessidade do paciente, respeitando cada caso para não ficar intolerante, acompanhado de perto por um médico”, orienta Maria Edna de Melo.
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